Famílias se instalam em canteiro de obra do VLT

Trabalhos no local estão paralisados há quase um ano; não há prazo para a retomada das obras, conforme Seinfra

Cerca de 150 barracos foram construídos em um terreno abaixo do viaduto do VLT que passa pela Avenida Aguanambi
Image-0-Artigo-1861296-1

FOTO: NATINHO RODRIGUES

Uma comunidade com cerca de 150 barracos foi levantada em um terreno embaixo do viaduto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) que passa pela Avenida Aguanambi. As estruturas feitas de tapume, lona e plástico foram montadas no ano passado e derrubadas tempos depois, segundo moradores, por homens do Metrofor (responsável pelo VLT). As residências improvisadas foram reconstruídas.

“Gastei o que não tinha para fazer de novo, e a gente vive nesta situação”, reclamou Raísse dos Santos,18, que não trabalha e vive sozinha com o filho de um ano e dois meses.

Segundo ela, o Metrofor esteve no local na semana passada e pintou um número em todas as casas. A maior parte dos ocupantes vivia com suas famílias na Comunidade Maravilha, próximo ao local, e foi transferida para conjuntos habitacionais. Eles alegam que saíram de lá por falta de espaço. “Antes, viviam mais de uma família nas casas, mas com esses apartamentos pequenos, não tem mais espaço para todo mundo”, justifica Viviane da Silva, desempregada.

Foi exatamente o que aconteceu com Ana Carla de Almeida, 22, também sem trabalho. Ela engravidou e, após a filha nascer, precisou sair de casa. Sem ter para onde ir, ficou quatro dias embaixo de um viaduto, até ser acolhida pela nova comunidade. “Minha filha teve pneumonia e hoje tem convulsões por causa disso”, lamenta.

Os dramas se repetem entre todos os moradores que, enquanto temem uma inevitável remoção, sofrem com as más condições da moradia. Ontem pela manhã, choveu no local, e a maioria dos barracos ficou alagada. Em um deles, uma criança dormia ao lado das goteiras na lona removida com a força da água, que descia nos espaços entre as lajes do viaduto.

Programas

O sustento de muitos vem de programas sociais e pequenos serviços, como faxina e lavagem de roupa. “Se a gente tivesse onde morar, não estava aqui”, resume a atendente Bárbara Rodrigues, grávida do primeiro filho.

A situação deles, entretanto, é compartilhada por milhares de fortalezenses que não têm onde morar. Os dados oficiais mais recentes, de 2012, indicam que o déficit habitacional na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) é de mais de 120 mil residências, conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Somente no cadastro para o Programa Minha Casa, Minha Vida realizado há um ano pela Fundação de Desenvolvimento Habitacional de Fortaleza (Habitafor), cerca de 115 mil pessoas se inscreveram com o objetivo de adquirir um imóvel. De acordo com o órgão, mais inscrições deverão ser abertas em junho. A previsão, entretanto, é que cerca de 30 mil novas habitações populares sejam construídas nos próximos anos na Capital.

A ocupação da área se deu logo após a paralisação das obras do ramal Parangaba Mucuripe, em junho do ano passado. Uma licitação para a retomada da construção está em andamento, mas ainda não há prazo para a retomada. Quando isso acontecer, o mais provável é que os moradores deixem o local já que, segundo a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), os terrenos são do Estado e já passaram pelo processo de desapropriação destinado à construção do equipamento.

Conforme a Secretaria, após o retorno da construção, as áreas deverão ser cercadas e vigiadas para evitar futuras ocupações. O órgão afirmou que equipes do Metrofor foram ao local fazer um diagnóstico da situação para que se tomem as providências necessárias à desocupação.

Já a Habitafor informou que apenas intermediou o contato dos ocupantes com os responsáveis pela obra e caberá ao Estado resolver a situação.

Fonte: Diário do Nordeste