Desrespeito à faixa de coletivos gera 30 multas por hora no binário

Em um período de cinco meses, de setembro de 2014 a janeiro de 2015, uma média de 495 multas diárias foi emitida por desrespeito à faixa prioritária de ônibus no binário da Santos Dumont e Dom Luís

Uma média de 30 motoristas, a cada hora, invadiu irregularmente a faixa prioritária de ônibus no binário entre as avenidas Santos Dumont e Dom Luís, na Aldeota, na Secretaria Regional II. O número leva em conta o período de cinco meses, entre setembro de 2014 e janeiro de 2015, quando uma média de 495 infrações por desrespeito à faixa reservada ao transporte coletivo foi registrada a cada 24 horas. O resultado final é alarmante: um total de 75.735 multas foi cometido contra o funcionamento integral do binário e, por consequência, de todo o transporte coletivo.

Os dados foram repassados pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC). A média diária de autuações na avenida Dom Luís, no período, foi de 279 infrações. Já na Santos Dumont, os números foram um pouco menores: 216 a cada 24 horas.

Os dados foram repassados pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e de Cidadania (AMC). A média diária de autuações na avenida Dom Luís, no período, foi de 279 infrações. Já na Santos Dumont, os números foram um pouco menores: 216 a cada 24 horas.

 

O diretor de Trânsito da AMC, Arcelino Lima, afirma que as multas registradas foram abaixo do esperado, considerando o tráfego do local. Um total de 61 mil veículos circula diariamente no binário. “Apenas cerca de 0,8% dos veículos que trafegam no binário são infratores. A maioria está se adequando às regras de circulação. Conseguimos perceber que a maioria dos motoristas notou a importância do transporte público. Os números demonstram que as pessoas estão respeitando mais o transporte coletivo”, acredita. O valor da multa por desrespeito à faixa prioritária é de R$ 50,27.

 

A média de velocidade dos ônibus passou de 12 quilômetros por hora, antes da implantação do binário, para 22 quilômetros por hora, após o início do sistema, cuja primeira etapa passou a funcionar em maio de 2014. A estudante Luana Andrade, 18, percebeu uma redução de 20 minutos para o deslocamento entre sua casa, na rua Costa Barros, e a escola, próxima ao Terminal do Papicu. “Eu fico na janela, olhando os carros e pensando: olha só, agora, eu vou chegar primeiro”, felicita-se.

 

Motoristas e pedestres

A convivência entre os motoristas de veículos particulares, pedestres e usuários do transporte público ainda precisa de adaptações. Paulo Geovane Nogueira, 25, auxiliar de escritório que trabalha no bairro Papicu e utiliza o transporte coletivo todos os dias, elogia o binário e reclama do desrespeito dos motoristas. “Se você ficar aqui por uma hora vai ver as aberrações que estes motoristas cometem. Só vão respeitar agora porque já estão cobrando multas”, opina. Ao ser informado do valor da infração, Paulo afirma que “é por isso que o Brasil não vai pra frente. É muito pouco! Deveria ser mil contos (mil reais)”, opina

 

Para a secretária Maria de Lourdes Nogueira, que dirigia no binário na tarde de ontem, indo ao trabalho, no Papicu, a Prefeitura precisaria ter melhorado o transporte público antes da implantação do binário. “É preciso colocar mais ônibus e que sejam novos, com ar-condicionado para as pessoas terem prazer de deixar o carro em casa e ir de ônibus”, acredita. A idade média dos ônibus, em Fortaleza, é de 4,3 anos, segundo a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor).